Vice-Presidente de Angola vai a julgamento em Portugal

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No processo "Operação Fizz", o vice-Presidente da República de Angola e ex-presidente da Sonangol, Manuel Vicente, é suspeito de ter corrompido Orlando Figueira quando este era procurador no DCIAP, departamento do MP que investiga a criminalidade mais grave, organizada e sofisticada, designadamente de natureza económica.

No seguimento da operação foram investigados crimes financeiros, em que o vice-presidente angolano é suspeito, e nos quais Orlando Figueira interveio, sendo um deles relacionado com uma alegada aquisição de um imóvel de luxo, no Estoril.

O processo aberto pelo Ministério Público português tem causado mal-estar nas relações políticas com o governo angolano, que adiou, sem data prevista, anunciadas visitas de governantes portugueses a Luanda, entre elas a do primeiro-ministro António Costa e da ministra portuguesa da Justiça, Francisca Van-Dúnem.

Segundo a Lusa, a decisão da juíza foi contestada pelo advogado do Vice-Presidente de Angola.

Armindo Pires, procurador do vice-Presidente angolano em negócios particulares realizados em Portugal responde também por corrupção ativa - em co-autoria com Paulo Blanco e Manuel Vicente -, e branqueamento e falsificação de documentos.

Vice-Presidente de Angola vai a julgamento em Portugal

A par de Manuel Vicente, também Armindo Pires é acusado.

O advogado do procurador Orlando Figueira, Paulo Sá e Cunha, discordou do advogado de Manuel Vicente, declarando aos jornalistas: "Os arguidos que vão a julgamento são aqueles que estão na decisão instrutória e na acusação". Segundo a investigação da "Operação Fizz", Orlando Figueira terá recebido dinheiro de Manuel Vicente para arquivar o caso através de uma empresa, a Primagest, sendo que uma das transferências terá sido efetuada dias antes do despacho de arquivamento.

A juíza Ana Cristina Carvalho confirmou os crimes constantes na acusação e decidiu mandar para julgamento Manuel Vicente por corrupção activa em co-autoria com Paulo Blanco e Armindo Pires, branqueamento de capitais em co-autoria com Paulo Blanco, Armindo Pires e Orlando Figueira e falsificação de documento com os mesmos arguidos.

Orlando Figueira, em licença sem vencimento desde 2012 e a trabalhar na banca, foi o procurador responsável pelos processos "BES Angola" e "Caso Banif", que arquivou.

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