Dissidente chinês doente pode ser levado para Alemanha

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Os médicos da Alemanha e dos Estados Unidos que visitaram no sábado (8) o dissidente chinês e prêmio Nobel da Paz Liu Xiaobo, que sofre de câncer de fígado em fase terminal, declararam neste domingo (9) que ele pode ser transferido "sem perigo" ao exterior para receber tratamento.

Liu de 61 anos de idade estava a cumprir uma pena de prisão de 11 anos por incitar a subversão contra o estado depois de assinar uma petição pedindo reformas democráticas na China. "No entanto, a transferência médica teria que ocorrer o mais rápido possível". Ele é um dos autores da Carta 08, um manifesto que defendia, entre outras coisas, eleições livres.

Também em Hong Kong, na semana passada, durante a visita à cidade do Presidente chinês, Xi Jinping, foram realizados vários protestos a pedir a libertação incondicional do ativista chinês e da mulher, Liu Xia, colocada em prisão domiciliária em 2010, depois da atribuição do Nobel ao marido, embora nunca tenha sido acusada de qualquer crime.

"A função hepática de Liu Xiaobo piorou, seus níveis de bilirrubina estão crescendo gradualmente", o hospital disse em um comunicado, referindo-se à substância produzida pelo fígado, cuja presença elevada pode indicar a falência do órgão.

"O que os governantes em Pequim devem fazer é o que fizeram este tempo todo: friamente calcular os riscos e benefícios de permitirem a Liu Xiaobo viajar para o estrangeiro de forma a conseguir tratamento e concluírem que está no seu melhor interesse deixarem-no partir", escreve o diretor do gabinete do leste asiático da Amnistia Internacional, Nicholas Bequelin.

Herman e Buchler disseram "não ter queixas quanto à qualidade dos cuidados" que Liu recebe no hospital chinês.

Ativistas e dissidentes chineses acusam Pequim de mentir ao dizer que Liu está doente demais para viajar, e asseguram que o governo teme dar ao dissidente uma plataforma para que se expresse no exterior.

O dissidente chinês Liu Xiaobo pode ser transferido em segurança para um hospital alemão ou norte-americano.

Mas, enquanto o hospital recomenda concentrar-se em aliviar os sintomas da doença terminal de Liu, os médicos estrangeiros argumentam que ainda há alternativas.

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