Assumo responsabilidade pelos meus actos, mas não pelos do Banco de Portugal

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"Não houve até hoje na Europa nenhuma resolução de um banco que tivesse 20% de quota de mercado, que representasse 27% das operações com as PME, tinha 30% no financiamento do comércio internacional... e 2 milhões de clientes".

Numa entrevista, publicada este sábado nos diários JN e DN, o antigo presidente do banco critica o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, afirmando que a instituição "provocou o colapso do BES". Ricardo Salgado defendeu que sempre teve intenção de pagar tudo a toda a gente e, se não o fez, foi porque "o Governador do Banco de Portugal decidiu avançar com a resolução do BES".

"Foi a decisão do Banco de Portugal somada à decisão inusitada de se acabar com o nome Espírito Santo que apagou das fachadas dos prédios uma marca com 140 anos". Garante que não se sente hostilizado pelos lesados do BES e que não deve pedir desculpa, pois a resolução não foi uma decisão sua.

O antigo banqueiro atribui ainda responsabilidades ao Governo de Passos Coelho, defendendo que "qualquer outro Governo com o mínimo de responsabilidade e sem intuitos populistas teria evitado a resolução de um banco com a dimensão do BES". "Era um montante pequeno".

Milhares de pequenos investidores têm afirmado que perderam as poupanças, ao serem enganados para comprarem produtos do Grupo Espírito Santo (GES) aos balcões do BES, estando alguns a lutar em tribunal e o Governo a tentar arranjar uma solução para uma indemnização parcial.

Entre os erros que assume ter cometido, está sobretudo um, de julgamento.

Sobre a venda do Novo Banco também lança críticas, considerando que "vai ser entregue gratuitamente a um conglomerado misto estrangeiro, com uma reputação que devemos questionar".

Sobre o futuro do Novo Banco, Ricardo Salgado diz-se contra a venda aos norte-americanos da Lone Star. "Não posso estar perante uma venda forçada e considerar que ela seja um sucesso", frisou, sublinhando que "era preciso salvar em vez de matar o banco". "Podia ser recapitalizado pelo Estado para reforçar o Novo Banco".

"No meu entender, a melhor solução para o Novo Banco era permanecer português, (.) quer fosse adquirido pela Caixa [Geral de Depósitos], quer [fosse] pelo Millenium BCP".

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