Congresso retoma trabalhos hoje e inicia rito para votar denúncia contra Temer

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O processo só prosseguirá no Supremo se a denúncia for aprovada no plenário da Câmara com os votos de pelo menos dois terços (342) dos 513 deputados federais, como estabelece a Constituição do Brasil.

"Já o deputado Celso Maldaner (PMDB-SC) disse em entrevista à Sputnik Brasil que está convencido de que o Presidente Michel Temer sairá vitorioso da sessão desta quarta-feira na Câmara dos Deputados".

Janot apresentou uma denúncia junto do Supremo Tribunal Federal contra Temer depois de, em Março, o Presidente ter sido gravado a aceitar um suborno de 500 mil reais (140 mil euros) dos donos da JBS, uma das maiores exportadoras de carne do mundo, a troco de uma decisão favorável.

Considerado um integrante da tropa de choque de Temer, o deputado Alceu Moreira (PMDB-RS), garante que o governo sairá vitorioso nesta quarta, 2, e jogou para a oposição a necessidade de assegurar quórum para votação da denúncia.

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Hoje (1º), o deputado Beto Mansur (PRB-SP), um dos articuladores do governo, disse que os partidos da base aliada contam com cerca de 380 deputados e que desses cerca de 100 ou estão indecisos (mais ou menos 50) ou vão votar contra o presidente Temer. É o que contestam os deputados de oposição, que pedem mais tempo para as falas e que os líderes possam se pronunciar também.

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, o discurso tem sido no sentido de que até os votos da oposição e abstenção são melhores do que a ausência, com o risco de não haver votação por falta de quorum. "Depois de todas as coisas que já vimos e denunciamos, referentes à compra de votos e ofertas espúrias feitas pelo governo aos deputados para conseguir salvar o presidente, a base aliada ainda articula esse formato de votação, para que não haja o debate suficiente de que a população precisa".

Antes de ser votado no plenário, o parecer da CCJ terá de ser lido durante o expediente de uma sessão, publicado no "Diário da Câmara" e incluído na ordem do dia da sessão seguinte à do recebimento pela mesa diretora da Câmara. Terá concordado em transformar o aborto em crime hediondo, como quer a frente parlamentar bíblica, em esvaziar o estatuto do desarmamento, reivindicação da bancada da bala, e em legislar contra a demarcação de terras indígenas, para satisfação dos grandes proprietários rurais. Na legenda, pelo menos 5 dos 14 parlamentares deverão votar contra presidente da República.

As siglas da oposição decidiram obstruir a sessão, não marcando presença, estratégia que pode ser revista.

Michel Temer é o primeiro presidente do país a ser denunciado por corrupção em plena atividade do cargo.

Além disso, um levantamento da ONG Contas Abertas mostra que entre janeiro e 19 de julho de 2017, o governo federal liberou R$ 4,1 bilhões em emendas para parlamentares.

Para iniciar a votação do relatório é necessário um mínimo de 342 deputados.

"Não tem sido fácil essa luta", disse antes de complementar.

Uma tática do Planalto é que ministros que tenham mandato na Câmara dos Deputados devem retomar as cadeiras para votar a favor de Temer.

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