Mercosul debaterá neste sábado suspensão da Venezuela

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"É intolerável que nós tenhamos no continente sul-americano uma ditadura". Em dezembro, a Venezuela foi suspensa do Mercosul porque não incorporou à sua legislação as normas básicas de funcionamento do bloco, como a adoção da Tarifa Externa Comum (TEC).

Os chanceleres dos países do bloco vão se reunir neste sábado em São Paulo para tomar a decisão. Participarão os chanceleres de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

É a primeira declaração mais incisiva de um membro do bloco desde a eleição da Assembleia Constituinte venezuelana, no último domingo.

"Será algo definitivo. Tem que tomar uma decisão, não há voltas".

Segundo Loizaga, a duração de uma eventual suspensão política dependerá do tempo que a Venezuela demonstrará "que foi restituída a ordem democrática e o estado de direito".

Mesmo pressionado pela comunidade internacional, Nicolás Maduro anunciou ontem que a Assembleia Nacional Constituinte será instalada na próxima sexta-feira, às 11h (horário local; 12h de Brasília), e não na quinta, como estava previsto, já que é preciso esperar a proclamação de alguns ganhadores que não foram ratificados pelo Poder Eleitoral.

Ao assumir a presidência, em julho deste ano, o governo brasileiro iniciou o que se chama de "fase de consultas", em que a Venezuela foi chamada a se pronunciar sobre a decisão do Mercosul. Com a suspensão pela cláusula democrática, a Venezuela só volta ao Mercosul com uma mudança no regime, incluindo eleições avaliadas como democráticas e sinais de que as instituições estão realmente funcionando. Não há previsão de expulsão no regramento do Mercosul.

O Protocolo de Ushuaia é mais duro e prevê inclusive o fechamento de fronteiras, do tráfego aéreo e marítimo, a suspensão total ou parcial do comércio e do fornecimento de energia, se os países assim o desejarem, mas isso não deve acontecer. "Os venezuelanos estão muito mal. A vida dos cidadãos perdeu valor", acrescentou o presidente argentino, referindo-se à onda de protestos contra o governo de Maduro desde abril passado e que deixou 125 mortos.

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