Ex-secretário de MT é preso pelo caso de ''Grampos Ilegais''

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Perri é o relator do caso no TJ.

A afirmação consta em uma manifestação do Ministério Público Estadual sobre o pedido de prisão, formulado pelo delegado Juliano Silva de Carvalho.

O magistrado cita, em sua decisão, o coronel Airton Benedito de Siqueia Júnior, também alvo da investigação.

Segundo o desembargador, Paulo Taques tem "inequívoco prestígio" no âmbito do Executivo estadual, não apenas pelo grau de parentesco mantido com o governador, mas, também, por ter sido, durante anos, seu homem de confiança. A ordem de prisão foi dada pelo desembargador Orlando Perri, que coordena as investigações sobre esquema de escutas telefônicas, a chamada "grampeonagem" que atingiu durante a vitoriosa eleição de Pedro Taques em 2014 e início de seu governo em 2015 políticos da oposição, servidores, juízes, desembargadores, políticos e jornalistas. "Não podemos descartar, pelo menos por ora, que estamos diante de uma organização criminosa muitíssimo bem arquitetada e formada para a prática, dentre outros, de crimes de interceptação telefônica ilegal", afirmou. "Não há, até o momento, nenhum elemento, mínimo que seja, de sua participação na propalada organização criminosa, ou, pelo menos, de que sabia ou de que aquiesceu com os atos por ela praticados".

O governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB) garantiu que a lei serve para todos, mas não permitirá arbitrariedade e ilegalidades referente a prisão preventiva de seu primo, Paulo Taques, nessa sexta-feira (04.08), em Cuiabá. "Se os membros do grupo tiverem acesso ao software e ao hardware de interceptação telefônica, até o momento não localizado, por certo que a possibilidade de encontrar alguma gravação ou áudio de interceptação telefônica clandestina será praticamente zero", pontua. "O sistema de protocolo da Casa Civil foi fraudado quando ele era secretário, e a fraude foi identificada pela Controladoria-Geral do Estado (CGE)". A publicitária que teve o celular interceptado em duas ações distintas das Polícias Civil e Militar é apontada nos autos como ex-amante de Paulo Taques. "A ex-amante do ex-secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Cesar Zamar Taques, estava grampeada desde outubro de 2014 pelo propalado e inexistente Núcleo de Inteligência da Polícia Militar, e seu grampo ilegal, pela Polícia Judiciária Civil, a mando de Paulo Taques, somente foi uma continuidade da infração penal há tempos praticada". Logo depois foi levado para o Fórum de Cuiabá para passar por audiência de Custódia.

"Jamais houve o uso da estrutura ou de contratos mantidos pela comunicação oficial do governo para favorecer a defesa pessoal de quem quer que seja", argumentou o Palácio Paiaguás por meio de nota.

"Esses foram os fundamentos pelos quais requisitei ao Corregedor-Geral da Polícia Judiciária Civil os autos do Inquérito Policial n. 78323/2017 (número nosso), instaurado pela Portaria n. G-124/2017/CGPJC/MT - GABINETE C, para apurar possível prática do crime de interceptação telefônica ilegal, nos autos sigilosos que tramitaram perante a Sétima Vara Criminal da Capital", assinalou o desembargador. O comunicado afirma ainda que o ex-secretário "não obstruiu investigações ou agiu no sentido de estimular a ocultação ou destruição de provas inquisitórias". O Governador Pedro Taques ainda não se pronunciou.

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