Saud deixou de informar conta no Paraguai ao assinar acordo, diz Janot

Ajustar Comente Impressão

O ex-procurador foi exonerado no início de abril da PGR. Janot pode pedir também a prisão dos delatores se entender que eles mentiram na delação.

"A defesa dos executivos da J&F junto ao Ministério Público Federal informa que a interpretação precipitada dada ao material entregue pelos próprios executivos à Procuradoria-Geral da República será rapidamente esclarecida, assim que a gravação for melhor examinada".

O advogado da empresa, Francisco de Assis, que também é delator, foi o primeiro a chegar e a depor. Joesley e os demais executivos argumentaram à PGR que consultaram Miller "em linhas gerais" sobre o processo de delação, e que acreditavam que ele já havia deixado o órgão. "Depois vamos botar tudo na conta do Zé", diz Joesley no áudio divulgado pelo STF. Segundo a Folha, os delatores afirmaram não possuir qualquer informação comprometedora sobre os magistrados, sobre quem fizeram apenas "considerações genéricas".

Por mais arriscado que fosse, a coletiva de imprensa convocada às pressas na última segunda-feira visava uma autoblindagem de Janot para o que poderia aparecer já durante o mandato de sua sucessora, a procuradora Raquel Dodge. Janot concedeu inicialmente até sexta-feira (8) para que todos os esclarecimentos sejam prestados. A intenção é resolver a situação o quanto antes para que a questão seja resolvida nos dez dias que ainda possui à frente do cargo de procurador-geral. A indicação de Janot converge com a avaliação feita por ministros da Corte de que os benefícios concedidos aos empresários merecem ser rediscutidos, embora façam a ressalva de que as informações obtidas a partir do acordo poderão continuar a ser aproveitadas em processos.

A imunidade aos irmãos Batista é alvo de questionamento desde maio, quando a delação foi divulgada. Agora tem outra agenda.

Há suspeitas de aproximação de Miller dos executivos da J&F na época em que ele trabalhava na Procuradoria Geral da República (PGR), nas investigações da Operação "Lava Jato", de 2014 a 2016.

Comentários