ONU vê possíveis "crimes contra a humanidade" na Venezuela

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Zeid Ra'ad Al Hussein, principal responsável da ONU para os Direitos Humanos, alertou esta segunda-feira, na abertura da 36.ª sessão do Conselho de Direitos Humanos, para os abusos generalizados aos direitos humanos na Venezuela, onde poderão esta a decorrer "crimes contra a humanidade".

"Minha investigação sugere a possibilidade de que crimes contra a humanidade tenham sido cometidos, o que só pode ser confirmado por uma investigação criminal subsequente", disse Zeid nesta segunda-feira. Hussein também estimulou o governo de Nicolás Maduro a buscar justiça para as vítimas e apelou, a todas as partes, para estabelecer um diálogo de maneira a lidar com a crise. Conflitos com forças de segurança contra protestos anti-governo fizeram pelo menos 125 mortos entre abril e julho.

O Alto Comissário destacou o fato de que uma apuração recente feita por seu escritório acusou o governo do presidente Nicolás Maduro de "uso excessivo da força" e de "violações de direitos humanos".

De acordo com o representante, uma investigação realizada pelo seu gabinete, registou o uso generalizado de "processos criminais contra líderes da oposição, recurso a detenções arbitrárias, uso excessivo de força e maus tratos de detidos, o que, em alguns casos, equivale a tortura".

Intervindo na sessão do 36.º Conselho dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), que hoje se celebra na cidade suíça de Genebra, Arreaza reafirmou a defesa dos direitos humanos, que é "exercida no país sul-americano", e condenou a agressão materializada contra a Venezuela no relatório apresentado pelo Alto Comissariado dos Direitos Humanos da ONU, que se encontra "repleto de mentiras e ofensas", informa a TeleSur. Já antes, o gabinete de Zeid criticou a Assembleia Constituinte venezuelana e a sua "comissão da verdade", encarregada de investigar vários líderes da oposição, acusados de traição.

Zeid lembrou que a Venezuela é um membro do Conselho de Direitos Humanos e que, como tal, "tem um dever particular na hora de salvaguardar os padrões mais elevados na promoção e proteção dos direitos humanos". Sem mencionar diretamente o país, Zeid pediu ao Conselho que considere "a necessidade de excluir deste conselho estados envolvidos nas mais escandalosas violações dos direitos humanos".

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