CPMI da JBS será um circo para blindar Temer

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O anúncio da escolha do parlamentar sul mato-grossense foi feito nesta terça-feira (12), pelo presidente da CPMI, Ataídes Oliveira (PSDB).

- A ida de Vossa Excelência [Ataídes Oliveira] ao Palácio do Jaburu já lhe enfraquece muito do ponto de vista moral. Ele foi escolhido como relator pelo presidente do colegiado, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO).

- O presidente, o relator e os subrelatores da CPMI não vão decidir o resultado da comissão. "Me sinto completamente à vontade e tranquilo para tocar essa relatoria", afirmou Marun. Questionado pelo Valor, Caiado classificou com "absurda" a nomeação de Marun.

O centro da crise é uma gravação, datada de 17 de março, em que Joesley e Saud indicam possível atuação de Miller no acordo de delação quando ainda era procurador -ele deixou o cargo oficialmente em 5 de abril.

Carlos Marun admitiu que sua indicação para a relatoria "desagradou a alguns membros" da CPI. A criação da CPMI andou logo depois que Janot anunciou a abertura de investigação para apurar possíveis irregularidades nas negociações da colaboração premiada.

Para tentar diminuir a influência do peemedebista na relatoria, Ataídes Oliveira nomeou dois sub-relatores.

Além disso, Marun também informou que a CPMI investigará a relação entre a JBS e o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social).

Ainda foram nomeados dois sub-relatores na Comissão, o deputado Delegado Francischini (SD), que irá sub-relatar os contratos da JBS e parte das delações do grupo, e o deputado Hugo Leal (PSB), que vai sub-relatar os assuntos fiscais, previdenciários e agropecuários da empresa.

Os depoimentos de Joesley Batista, um dos donos do grupo, e de executivos da empresa embasaram a denúncia contra o presidente Temer por corrupção passiva, barrada pela Câmara em agosto.

Outros pedidos sugerem a convocação dos ex-presidentes da República Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff; dos ex-ministros da Fazenda Antonio Palocci e Guido Mantega; e dos ex-presidentes do BNDES Luciano Coutuinho e Demian Fiocca. Parlamentares afirmam que a intenção do Planalto ao colocar Marun na função é usar a CPMI para atacar os delatores da JBS e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

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