Irmãos Batista lucraram US$ 100 mi com informações privilegiadas — MPF

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Os mandados de prisão contra os irmãos Batista na Operação Tendão de Aquiles não têm relação com as outras investigações contra os empresários.

O juiz federal João Batista Gonçalves, da 6.ª Vara Criminal Federal, atribui aos irmãos delatores da JBS Joesley e Wesley Batista 'prática de chantagens junto a autoridades públicas'. Ele já está preso desde domingo (10), mas por outra acusação. As prisões temporárias dos executivos foram expedidas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, que acolheu o pedido feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

"Então, a prisão preventiva, ainda que seja uma medida dura, é a única que consegue fazer com que cessem finalmente de cometer crimes", completou. "O estado brasileiro usa de todos os meios para promover uma vingança contra aqueles que colaboraram com a Justiça", disse, em nota.

Segundo o ex-procurador, ele participou do almoço o diretor jurídico do Grupo J&F Francisco de Assis e Silva.

Além disso, a PF cumpre dois mandados de busca e apreensão.

A Polícia Federal apreendeu o telefone celular do ex-procurador da República Marcello Miller, alvo da Operação Bocca, deflagrada nesta segunda-feira, 11.

O mundo político aproveita-se da enorme fissura gerada pelos ruídos do acordo de delação firmado pela PGR com executivos da JBS para se vingar dos ataques recebidos nos últimos anos.

Também há um novo pedido de prisão preventiva contra Joesley, que está detido desde terça (12) em Brasília.

A confirmação do nome do deputado Carlos Marun (PMDB-MS) como relator da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que investigará se houve irregularidades nas operações entre o grupo J&F e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) representa uma vitória do presidenteMichel Temer, que se empenhou para que um aliado fosse escolhido para o posto. O dólar disparou no dia seguinte, subindo mais de 8%, o que trouxe ganhos à empresa. Ambos são investigados por manipularem o mercado financeiro ao usarem as próprias delações premiadas, cuja divulgação traria impactos na cotação do dólar e no valor das ações da empresa, para obter lucros.

A JBS confirmou ter comprado as moedas antes de as gravações de Joesley Batista envolvendo o presidente Michel Temer (PMDB) virem à tona.

Assim, Joesley Batista determinou a venda pela FB de 42 milhões de ações da JBS a R$ 372 milhões.

Os investigadores afirmam que há provas fartas contra os irmãos Batista.

A empresa também divulgou que manterá os "seus acionistas e o mercado devidamente informados" sobre o mandado de prisão.

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