Défice atinge 1,9% no primeiro semestre

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O Instituto Nacional de Estatística revelou ontem que o défice nos primeiros seis meses ficou abaixo dos 2,1% do primeiro trimestre e dos 3,1% no primeiro semestre de 2016. O objectivo do governo para o final do ano é de 1,5% do PIB, uma meta que tem sido considerado atingível por análises internacionais uma vez que o crescimento da economia em 2017 deverá rondar os 2,5%, quando no Orçamento o governo previa apenas 1,8%.

Comentando os dados do INE, o ministro das Finanças, Mário Centeno, disse não estar preocupado com uma eventual contabilização da recapitalização da CGD no défice, considerando que, mesmo que isso aconteça, "não terá impacto na avaliação" da Comissão Europeia a Portugal.

Se esta alteração se mantiver, o Executivo português pode estar sujeito a um impacto negativo ans contas, tendo em conta aquilo que previu quando apresentou o OE2017. Este ano, o Governo comprometeu-se a reduzir o défice para 1,5% do PIB. "O objetivo orçamental do corrente ano será assim alcançado", acrescenta, sem fazer referência ao impacto potencial da operação da CGD.

"No conjunto do primeiro semestre de 2017, o saldo global das Administrações Públicas fixou-se em -1.794,4 milhões de euros, correspondendo a -1,9% do PIB (-3,1% do PIB em igual período do ano passado)", divulgou hoje o INE. "A complementaridade da estratégia de gestão criteriosa dos recursos públicos e do fomento do crescimento inclusivo, baseado no investimento de qualidade, revela-se a melhor forma de assegurar crescimento económico socialmente equitativo a médio e a longo prazo", refere a mesma nota.

Ainda segundo o Ministério das Finanças, se "corrigido de efeitos temporários - pagamento de metade do duodécimo do subsídio de Natal nos salários e pensões e antecipação dos reembolsos do IRS - o défice situar-se-ia em 1,33%". Em 2016, por exemplo, depois dos 3,1% da primeira metade do ano, o valor final acabou por ficar nos 2%.

Em causa estão os 3944 milhões de euros que foram suportados pelo Estado Português nesta operação e que correspondem a cerca de 2,1% do PIB, de acordo com as contas do INE. "Este processo terá como limite temporal março de 2018, quando o INE transmitir a primeira notificação do Procedimento dos Défices Excessivos [PDE] relativa a 2017", reafirma hoje a autoridade estatística portuguesa.

O INE reviu assim em alta, pela segunda vez, o crescimento do PIB no segundo trimestre, que tinha passado de 2,8% para 2,9% em termos homólogos, nas contas nacionais trimestrais divulgadas em agosto.

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