Angela Merkel vence as eleições alemãs sem maioria absoluta

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"Nós alcançamos o objetivo estratégico", disse Merkel na sede do partido União Democrata Cristã (CDU), em Berlim, referindo que o resultado foi "menos bom" do que esperava, mas que nenhum outro partido, a não ser o seu, poderá tentar formar uma coligação de governo.

"Não me parece", disse Merkel, numa conferência de imprensa em Berlim, citada pela Deutsche Welle.

Merkel obterá seu quarto mandato seguido como chefe do governo alemão, se a vitória de concretizar.

O grande perdedor das eleições foi Martin Schulz, líder do SPD, que lamentou um "dia difícil e amargo para a social-democracia".

As assembleias de voto abriram às 08h00 (03h00 de Brasília) para receber os cerca de 61,5 milhões de eleitores em 299 círculos eleitorais para eleger os deputados num sistema que mistura princípios majoritários e proporcionais. Este foi um dos resultados mais fracos da aliança no pós-guerra.

Trata-se da populista AfD (Alternativa para a Alemanha), contrária à migração e à presença do islã na nação.

As negociações poderão durar até o final do ano, e Merkel não será nomeada chanceler até que forme uma nova maioria.

O primeiro grande desafio da nova gestão de Angela Merkel será a composição de uma coalizão que garanta a maioria no parlamento.

Manifestação contra o avanço histórico da extrema-direita nas eleições legislativas deste domingo na Alemanha.                  RFI
Manifestação contra o avanço histórico da extrema-direita nas eleições legislativas deste domingo na Alemanha. RFI

A aliança de centro-direita de Merkel aparecia com 32,5% dos votos, segundo a pesquisa de boca de urna divulgada pela emissora pública ARD.

Além da vitória de Merkel, a principal novidade das urnas é o crescimento do partido neonazista AfD, de ultradireita, que emerge como terceira força política do país, com 13,1%.

Em outros países do continente, os investidores se assustaram com o resultado da extrema-direita e puxaram para baixo as operações.

A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou esta segunda-feira que a forte votação na extrema-direita nas legislativas de domingo na Alemanha não vai influenciar a política externa, europeia ou de refugiados do seu Governo. Se uma coligação CDU-SPD fosse possível garantiria 53% dos votos e a chanceler teria a vida mais facilitada.

Angela Merkel excluiu governar com os extremos e, nisso, inclui tanto a AfD como a esquerda radical, que disputam o terceiro lugar nas pesquisas.

O partido de extrema-direita, AfD, que tem cerca de 10% de intenções de voto, vem recebendo inúmeras críticas por seus militantes se mostrarem simpáticos ao nazismo e ao uso da violência. Algo nunca visto em um país cuja identidade desde o final da guerra foi construída com base no arrependimento pelo nazismo e na rejeição ao extremismo.

Alemães fizeram uma manifestação em frente ao um evento do AfD aos gritos de "fora nazistas". "Voltam os fantasmas do passado", alertou a revista semanal Der Spiegel.

A economia do maior país da UE - A Alemanha conta mais de oitenta milhões de habitantes - é das mais influentes a nível mundial e a chanceler tem sido descrita como 'a mulher mais poderosa do planeta'.

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