Opositor venezuelano Antonio Ledezma, que fugiu da prisão, chega a Madri

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Um dos principais líderes da oposição, ex-prefeito de Caracas consegue escapar de prisão domiciliar.

O Presidente venezuelano pediu a Espanha para "não devolver" Antonio Ledezma, dirigente da oposição e ex-presidente da Câmara Metropolitana de Caracas, que na sexta-feira deixou Bogotá, com destino a Madrid, depois de se ter refugiado na Colômbia.

Ledezma disse em entrevista à imprensa durante sua chegada à capital espanhola que será recebido presidente do governo da Espanha, Mariano Rajoy, no Palácio da Moncloa.

Um dos opositores mais emblemáticos junto com Leopoldo López, também em prisão domiciliar, Ledezma contou, ainda na Colômbia, que conseguiu fugir com a ajuda de militares venezuelanos.

Outra líder opositora venezuelana, María Corina Machado, também o felicitou: "estava segura de que Ledezma não permitiria que o fizessem refém da tirania".

"Vou me dedicar a percorrer o mundo, a contribuir no exílio para fazer uma extensão da esperança dos venezuelanos a sair deste regime", declarou Ledezma, que denunciou a "narcoditadura" que assola a Venezuela.

"É preciso resgatar o mais rápido possível a democracia na Venezuela", afirmou Ledezma, acrescentando que seu país "está à beira do colapso definitivo".

Ledezma ainda incitou a oposição a fazer uma autocrítica para superar incoerências.

Com a aproximação das eleições presidenciais na Venezuela, marcadas para o próximo ano, aumenta assim a lista de opositores do regime de Caracas que fugiram do país, ou estão detidos ou impedidos de concorrerem à presidência.

"Foi uma travessia de filme passar por mais de 29 postos entre a Guarda Nacional e a Polícia do governo", contou à imprensa colombiana, na cidade fronteiriça de Cúcuta, sem dar maiores detalhes, minutos antes de viajar para Bogotá.

Ledezma afirma que decidiu fugir depois de ser informado por militares e membros da Inteligência de que havia um suposto "plano" do governo contra ele.

A Colômbia recebeu nos últimos meses vários juízes venezuelanos destituídos e a ex-procuradora-geral Luisa Ortega.

"A Venezuela está colapsando completamente, não podemos esperar mais", afirmou. Ledezma voltou para casa alguns dias mais tarde.

Ledezma, que está entre os políticos de oposição mais conhecidos da Venezuela, foi acusado pelos crimes de conspiração contra o governo de Maduro e formação de quadrilha pelo Ministério Público. Mas lamentou que Zapatero tenha sido escolhido como mediador, e não o também ex-presidente do governo espanhol, Felipe González. Foi protegido para a Espanha para viver a grande vida, para ir tomar vinho na Gran Vía.

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