Greve dos médicos paralisa Hospital de Santa Luzia

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A greve nacional, convocada pela Federação Nacionaldos Médicos (FNAM) e o SIM, iniciou-se hoje à meia-noite e terá a duração de três dias, em "defesa do SNS" e pelo respeito e dignidade da profissão médica.

Desta forma, a reunião plenária de sexta-feira, que se realiza após três dias de greve dos médicos, vai começar com o debate de atualidade, que se sobrepõe aos restantes pontos da agenda do parlamento, ao abrigo do artigo 72.º do regimento.

No caso dos hospitais dos Açores de Ponta Delgada (São Miguel), Angra do Heroísmo (Terceira) e Horta (Faial) a adesão foi de 35% e 22% nos centros de saúde do arquipélago açoriano, acrescentou a tutela.

Em declarações aos jornalistas à porta das consultas externas no Hospital São José, em Lisboa, o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Paulo Roque da Cunha, disse que os primeiros dados de adesão à greve se prendem fundamentalmente com os blocos operatórios, vão no sentido do que os sindicatos previam e demonstram "o grande descontentamento que existe entre os médicos". Os blocos operatórios dos principais hospitais do país estiveram encerrados e as consultas externas canceladas.

"A verdade é que o ministro da Saúde não se pode esconder na circunstância de dizer que a greve é legal ou que os médicos têm reivindicações com que ele concorda a 90 por cento".

O responsável saudou os médicos que "participaram na jornada" e recordou os "120 milhões de euros" gastos nas empresas de trabalho temporário que, considera, deviam ser aplicados em hospitais ou centros de saúde.

O secretário-geral da Confederação-geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), Arménio Carlos, defendeu que esta é uma greve que serve para pedir medidas de fundo por um melhor SNS, além de ser de defesa dos direitos dos profissionais de saúde.

Os sindicatos frisam ainda que "os médicos sem formação são médicos indiferenciados e sem especialidade médica, o que compromete a qualidade do SNS". Portanto, o sindicalista pensa que nos próximos dois dias "haverá tanta ou mais adesão à greve como no primeiro dia", servindo esta greve como "a base de demonstração de insatisfação" dos médicos.

Os sindicatos reclamam a redução do trabalho suplementar, diminuição progressiva até 12 horas semanais de trabalho em urgência, bem como a diminuição gradual das listas de utentes dos clínicos de família de 1900 para 1500. Entre os objetivos da greve, destacam-se o desencadeamento imediato do processo de revisão da carreira médica e das respectivas grelhas salariais, bem como o descongelamento imediato da progressão da carreira médica e a criação de um estatuto profissional de desgaste rápido e de risco e penosidade acrescidos, com a diminuição da idade da reforma.

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