Edson Fachin autoriza investigação de repasses da J&F ao MDB

Ajustar Comente Impressão

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou abertura de inquérito para apurar o repasse irregular de R$ 40 milhões da J&F para campanhas de políticos do MDB em 2014.

As suspeitas foram levantadas nas delações premiadas do executivo Ricardo Saud e do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

Edson Fachin atendeu a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), que demandou abertura de inquérito em abril passado. A investigação foi autorizada com base nas delações de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, e Ricardo Saud, ex-diretor da JBS.

São investigados no mesmo caso os senadores Romero Jucá (MDB-RR) e Renan Calheiros (MDB-AL), bem como o deputado Lúcio Vieira Lima (MDB-BA).

Segundo contou o G1, o executivo disse que apesar de algumas doações terem sido feitas de forma oficial, "tratava-se de vantagem indevida, uma vez que dirigentes do PT estariam comprando o apoio de peemedebistas para as eleições de 2014 como forma de assegurar a aliança entre os partidos".

Segundo o delator, o pagamento milionário tinha o objetivo de manter a unidade do MDB, devido ao risco, à época, de que integrantes do partido passassem a apoiar formalmente a campanha do senador Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência da República. Os R$ 40 milhões direcionados ao partido teriam sido pedido do PT.

Henrique Eduardo Alves: teria recebido ilegalmente R$ 2,9 milhões.

No último dia 3, o Supremo decidiu que deputados federais e senadores só terão direito ao foro privilegiado em casos de crimes cometidos durante o mandato e em função da atividade parlamentar.

Em um trecho de seu despacho, Fachin destacou que "há razão suficiente para, neste momento, reconhecer que os fatos ocorridos denotam especial interligação nas condutas atribuídas a parlamentares federais e aos demais envolvidos, a recomendar a persecução abrangente dos fatos narrados e evitar decisões contraditórias".

Para a PGR, as solicitações de vantagens indevidas, antes de serem efetivamente entregues, dependiam de negociatas entre o sócio da J&F Joesley Batista e o então ministro da Fazenda Guido Mantega.

Fachin enviou o inquérito à Polícia Federal (PF), para coleta de provas e de depoimentos em até 60 dias.

Comentários