Filho de Vladimir Herzog pede documentos da CIA, via governo brasileiro

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Ao saber da carta, no sábado, Aloysio instruiu a embaixada brasileira em Washington a solicitar os documentos que tratam sobre a ditadura brasileira.A informação sobre a "política de execução" estava em um documento desclassificado pelo Departamento de Estado dos EUA em 2015.

Na última sexta-feira, Herzog enviou carta ao Itamaraty solicitando ajuda para obter junto ao governo norte-americano "a liberação completa dos registros realizados pela Agência Central de Inteligência (CIA), que documentam a participação de agentes do Estado brasileiro em operações para torturarem ou assassinarem cidadãos brasileiros".

Na carta, Ivo Herzog pede que o governo brasileiro solicite ao governo norte-americano a liberação completa dos registros feitos pela CIA. Leia a íntegra do ofício. Na época, o Exército divulgou a versão de que o jornalista teria cometido suicídio na prisão.

Entre as vítimas desse período, estão o jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 25 de outubro de 1975 após se apresentar voluntariamente ao Centro de Operações de Defesa Interna, um órgão militar da ditadura; e o metalúrgico Manoel Fiel Filho, que foi torturado até a morte, em 17 de janeiro de 1976, nas dependências do Destacamento de Operações de Informações (DOI) do II Exército, em São Paulo. "Uma nação precisa conhecer a sua história oficialmente para ter políticas públicas que previnam que os erros do passado se repitam", comentou.

Para o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, a divulgação dos documentos da CIA não afetou o "prestígio" das Forças Armadas. A informação foi confirmada ao Valor pela assessoria de comunicação do Itamaraty. Em visita à China, o chanceler Aloysio Nunes confirmou que vai requisitar os documentos "que ainda não foram publicados".

Revelados na semana passada, documentos da CIA relatam que os generais Ernesto Geisel e João Figueiredo sabiam e concordaram com execução sumária de "inimigos" da ditadura militar no Brasil.

A política tinha sido adotada durante o governo de Emílio Garrastazu Médici (1969-1974). O memorando, de 11 de abril de 1974, é assinado pelo então diretor da CIA (serviço de inteligência dos EUA) Willian Colby e endereçado ao então secretário de Estado Henry Kissinger. Nele, Colby detalha que Geisel, ao assumir o poder, foi informado de que 104 pessoas haviam sido mortas no ano anterior.

Na ocasião, o CIE recebeu autorização de Geisel para manter o método, mas restringido aos "casos excepcionais", que envolvessem "subversivos perigosos".

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