No volante de um caminhão, Putin inaugura ponte Crimeia-Rússia

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No volante de um caminhão laranja, o presidente russo, Vladimir Putin, inaugurou nesta terça-feira (15) uma ponte para ligar a Crimeia à Rússia.

O Ministério das Relações Exteriores ucraniano lembrou que Kiev já processou a Rússia pela perda dos portos na região devido à construção da ponte de Kerch, que liga a Crimeia com a região russa de Krasnodar.

Mas, durante uma visita em março, poucos dias antes de sua reeleição, Putin exigiu a conclusão da obra em maio "para que a população aproveitasse durante o verão".

Os Estados Unidos condenaram a ação considerando que "a construção da ponte na Rússia serve como uma recordação da disposição contínua do país de burlar o direito internacional". "A Rússia vai pagar bem caro", ameaçou o chefe do executivo de Kiev. A construção da nova ponte começou em fevereiro de 2016 e custou 228 mil milhões de rublos (cerca de 3.000 milhões de euros ao câmbio atual).

A ponte inclui quatro faixas para automóveis (duas em cada direção), abertas ao tráfego a partir da meia-noite desta quarta-feira, e duas vias férreas, uma em cada sentido, cujas obras deverão estar concluídas em finais de 2019.

A União Europeia (UE) classificou esta ponte como "uma nova violação da soberania".

"Ela vai contribuir para desenvolver a economia da Crimeia e de Sebastopol [principal cidade da península]", acrescentou Putin. Mas o governo da Ucrânia, soberano da Crimeia até a invasão russa de 2014, protestou.

"A construção de uma ponte visa prosseguir a integração forçada da península anexada ilegalmente na Rússia e o seu isolamento da Ucrânia, de que continua a fazer parte", disse a porta-voz europeia.

A ponte de 19 quilômetros, construída sobre o estreito de Kerch sem passar por território ucraniano, foi inaugurada hoje pessoalmente pelo presidente russo, Vladimir Putin, como uma vitória simbólica em "um dia histórico para a Rússia".

A maioria dos eleitores da Crimeia apoiaram a denominada "reunificação" com a Rússia em um referendo considerado ilegal por Kiev e por boa parte da comunidade internacional. "As forças de ocupação da Rússia, que ocupam temporariamente a Crimeia, continuam a agir fora das leis internacionais", afirmou.

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