PF vê indícios de uso de dinheiro do tráfico por políticos

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De acordo com a Polícia Federal, os trabalhos são desdobramentos da "Operação Spectrum", em 2017. O 'Cabeça Branca' é considerado um dos maiores traficantes do Brasil e tem atuação em diversos países.

Em entrevista coletiva nesta manhã em Curitiba (PR), os delegados que comandam a operação afirmaram que pai e filho formam um dos dois núcleos de lavagem para legalizar o dinheiro que "Cabeça Branca" obtém da venda de cocaína para as facções criminosas brasileiras.

Entre os detidos está Carlos Alexandre de Souza Rocha, conhecido como "Ceará", que assinou um acordo de delação premiada (colaboração com a justiça) com as autoridades no âmbito da operação Lava Jato. Ceará atuava na Lava Jato com o Doleiro Alberto Youssef e firmou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.

Na delação, o doleiro disse ter entregue dinheiro em espécie para políticos como os senadores Aécio Neves, Fernando Collor de Mello e Renan Calheiros.

Além dos mandados de prisão, cinco de prisão preventiva e três de prisão temporária, 18 mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos estados do Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e São Paulo. A outra prisão, do pai, ocorreu em imóvel na Rua Geni Ferreira Milan, nas imediações da Usina velha, em Dourados.

Os presos na operação desta terça-feira serão transferidos para a Superintendência da Polícia Federal de Curitiba, para serem interrogados. Entre 2014 e 2017 foram apreendidas 27 toneladas de cocaína. Por exemplo, ele tinha pouco contato com seus aliados e só falava com aqueles de maior importância na escala hierárquica da organização, tanto que dividia seus parceiros em dois setores principais: o da lavagem de dinheiro, operado pelos sul-mato-grossenses e o do grupo dos doleiros.

A quadrilha movimentava U$S 140 milhões de dólares com o tráfico internacional de drogas.

O trabalho tem o objetivo de reunir informações complementares da prática dos crimes de lavagem de dinheiro, contra o Sistema Financeiro Nacional, organização criminosa e associação para o tráfico internacional de entorpecentes.A denominação "Efeito Dominó" é uma alusão ao fato de existir um efeito em cascata no tráfico pois, por se tratar de crime que visa lucro, o dinheiro ilícito amealhado, especialmente no grande volume identificado nesta operação, necessita de forte estrutura de lavagem de dinheiro, consistente na movimentação de recursos em espécie no país com a intervenção de operadores financeiros.

De acordo com a Polícia Federal, ao longo das investigações ficou clara a convergência dos interesses das atividades ilícitas com a dos 'clientes dos doleiros' investigados.

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