Bispos envolvidos em escândalo sexual apresentam renúncia ao Papa

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Cidade do Vaticano, 17 mai 2018 (Ecclesia) - O Papa Francisco condenou hoje a intriga que é usada para dividir na Igreja, "uma atitude assassina", bem como a "instrumentalização do povo".

Os bispos chilenos estão reunidos com o papa Francisco no Vaticano para discutir respostas ao escândalo de abusos.

"Agradeço a plena disponibilidade que cada um manifestou para aderir e colaborar em todas as mudanças e resoluções que teremos que implementar em curto, médio e longo prazo", escreveu o Papa Francisco.

"À luz desses acontecimentos dolorosos sobre os abusos - de menores, de poder e de consciência -, nos aprofundamos na gravidade dos mesmos, assim como nas consequências trágicas que tiveram particularmente para as vítimas", reconheceu o pontífice.

Num documento revelado pelo canal televisivo T13, o papa Francisco afirma que bispos e superiores de ordens religiosas do país entregaram a direção de seminários ou noviciados a "padres suspeitos de suspeitos de homossexualidade ativa" e que religiosos expulsos das suas ordens por "comportamentos imorais" foram acolhidos em outras dioceses com cargos em que mantinham "um contato cotidiano e direto com menores".

Três das vítimas foram recebidas, em separado, a 3 de maio, e pediram ao Papa que tome medidas. Na terça-feira, depois do primeiro encontro, o papa impôs a eles 24 horas de silêncio, a serem dedicadas "à meditação e à oração".

Para o pontífice argentino, esse procedimento ainda é usado hoje na vida civil e política "quando se quer fazer um golpe de Estado": "Os media começam a falar mal das pessoas, dos dirigentes, e com a calúnia e a difamação essas pessoas ficam manchadas; a justiça, condena-as e, no final, faz-se um golpe de Estado". "Quando nós na vida, na Igreja ou na sociedade civil trabalhamos pela unidade, estamos no caminho que Jesus traçou", disse Francisco.

Os dois bispos citaram uma nova coletiva de imprensa para sexta-feira.

No final de uma audiência geral celebrada quarta-feira na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Papa convidou "todas as partes envolvidas e a comunidade internacional a renovar o seu empenho para que prevaleça o diálogo, a justiça e a paz". João Paulo II fez isso em 2002 com a Igreja dos Estados Unidos e Bento XVI em 2010 com a da Irlanda.

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